História

Grécia Antiga: resumo, Atenas x Esparta e 7 exercícios

A Grécia Antiga vai das primeiras Olimpíadas (776 a.C.) à conquista romana (146 a.C.). Dez datas, Atenas contra Esparta em tabela e 7 exercícios resolvidos.

Recomendado para: 6º ano · 7º ano

A Grécia Antiga não foi um país: foi um conjunto de centenas de cidades-estado independentes, as pólis, que falavam a mesma língua, cultuavam os mesmos deuses, disputavam os mesmos jogos e guerreavam entre si com frequência. Dessa divisão nasceram a democracia, a filosofia, o teatro e a geometria.

Em resumoGrécia Antiga
Períodode cerca de 1100 a.C. a 146 a.C.
Primeira data confiável776 a.C., primeiras Olimpíadas
Organização políticacentenas de pólis independentes
Cidades principaisAtenas, Esparta, Corinto, Tebas
Fim da independência338 a.C. (Queroneia) e 146 a.C. (conquista romana)
Línguagrego, em vários dialetos
Herançasdemocracia, filosofia, teatro, geometria, Olimpíadas

As 10 datas que organizam tudo

AnoAcontecimento
cerca de 1600-1100 a.C.Civilização micênica: palácios, escrita e a guerra de Troia na memória épica
776 a.C.Primeiras Olimpíadas em Olímpia
cerca de 750-550 a.C.Colonização grega no Mediterrâneo, da Sicília ao mar Negro
508 a.C.Reformas de Clístenes em Atenas: nasce a democracia
490 a.C.Batalha de Maratona: primeira vitória sobre os persas
480 a.C.Termópilas e Salamina: derrota em terra, vitória no mar
461-429 a.C.Século de Péricles: Partenon, teatro, auge de Atenas
431-404 a.C.Guerra do Peloponeso: Esparta derrota Atenas
336-323 a.C.Reinado de Alexandre: do Egito ao rio Indo
146 a.C.Roma conquista a Grécia e destrói Corinto

Antes das pólis: cretenses e micênicos

Na ilha de Creta, entre 2000 e 1450 a.C., a civilização minoica construiu palácios enormes e sem muralhas, como Cnossos, e viveu do comércio marítimo. No continente, a partir de 1600 a.C., os micênicos ergueram cidadelas fortificadas, como Micenas e Tirinto, e deixaram a memória que Homero transformaria na Ilíada e na Odisseia.

Por volta de 1100 a.C. esse mundo desaba: os palácios são abandonados e a escrita desaparece por séculos. É o chamado período homérico, do qual se sabe pouco, e é dele que emergem as pólis.

A pólis: o coração da Grécia

Cada pólis tinha o mesmo desenho: uma acrópole, a cidade alta com os templos, e uma ágora, a praça do mercado e das assembleias, cercadas pelo campo que alimentava a cidade. E tinha governo próprio, leis próprias, moeda e exército próprios.

A pressão da falta de terras levou os gregos a fundar colônias por todo o Mediterrâneo: Siracusa e Nápoles (Neápolis, cidade nova) no sul da Itália, Marselha na França, Bizâncio no estreito que depois seria Constantinopla. Era a mesma rede marítima que, séculos mais tarde, o Império Romano herdaria inteira.

Atenas e Esparta: dois modelos opostos

AtenasEsparta
GovernoDemocracia direta: eclésia, bulé, tribunais sorteadosOligarquia: dois reis, gerúsia, cinco éforos
EconomiaComércio marítimo, artesanato, prata de LáurioAgricultura trabalhada pelos hilotas
EducaçãoEscrita, música, retórica, ginásticaAgogê: treinamento militar dos 7 aos 20 anos
ForçaA maior frota do EgeuO exército terrestre mais temido
MulheresSem direitos políticos, vida sobretudo domésticaSem direitos políticos, mas com mais autonomia econômica
SímboloPartenon e teatro de DionisoA falange hoplita

As duas cidades não eram apenas diferentes: eram rivais, e o conflito entre elas atravessa toda a história grega clássica.

As guerras greco-pérsicas e o século de Péricles

Quando o Império Persa, de Dario e depois de Xerxes, tenta submeter o mundo grego, acontece algo inédito: pólis inimigas se aliam. Em Maratona (490 a.C.) os atenienses vencem em terra; em Termópilas (480 a.C.) os 300 espartanos de Leônidas perdem, mas ganham tempo; em Salamina (480 a.C.) Temístocles atrai a frota persa para um estreito e a destrói; em Plateias (479 a.C.) a invasão termina.

Da vitória nasce a Liga de Delos, uma aliança liderada por Atenas que logo se transforma em domínio: o tesouro comum vai para a acrópole ateniense e financia o Partenon. É o século de Péricles (461-429 a.C.), o momento de Sófocles, Ésquilo, Eurípides, Heródoto e Sócrates.

A conta chega em 431 a.C., com a Guerra do Peloponeso: 27 anos de guerra entre Atenas e Esparta, vencidos por Esparta em 404 a.C., que deixam o mundo grego exausto.

De Alexandre a Roma

Enfraquecidas, as pólis são derrotadas em Queroneia (338 a.C.) por Filipe II da Macedônia. Seu filho Alexandre, aluno de Aristóteles, assume em 336 a.C. e em treze anos conquista o Império Persa, o Egito e chega ao rio Indo, fundando cidades gregas por todo o caminho, a maior delas Alexandria.

Quando morre, em 323 a.C., aos 32 anos, o império é repartido entre seus generais. Começa o período helenístico: a cultura grega se mistura às culturas orientais e se difunde do Egito à Ásia Central. Em 146 a.C. Roma derrota a Liga Aqueia e destrói Corinto: a Grécia torna-se província romana, mas é a cultura grega que conquista Roma, da filosofia à arte, assim como antes o Egito Antigo havia fascinado os próprios gregos.

Religião, esporte e cultura

Os gregos eram politeístas: doze deuses principais no Olimpo, com Zeus à frente, imaginados com forma e defeitos humanos. Não havia um livro sagrado nem um clero organizado, mas santuários comuns, como Delfos, onde se consultava o oráculo.

Os Jogos Olímpicos, de 776 a.C. em diante, aconteciam a cada quatro anos em Olímpia, e durante eles as guerras eram suspensas: eram um dos poucos momentos em que todos os gregos se reconheciam como um só povo. Do teatro grego vêm a tragédia e a comédia; da filosofia, a pergunta sobre o que é justo; da matemática, os teoremas que você ainda estuda hoje.

Os erros mais comuns

  • Falar da Grécia Antiga como um país. Eram centenas de pólis independentes, muitas vezes em guerra entre si.
  • Dizer que a democracia ateniense era igual à de hoje. Era direta e restrita: mulheres, escravos e metecos não votavam.
  • Achar que Alexandre era grego de Atenas. Era macedônio, e a Macedônia havia derrotado as pólis gregas em 338 a.C.
  • Confundir minoicos e micênicos. Os minoicos são de Creta, sem muralhas e voltados ao mar; os micênicos são do continente, com cidadelas fortificadas.
  • Imaginar que 146 a.C. apagou a cultura grega. Roma transformou a Grécia em província, mas adotou sua filosofia, sua arte e seus deuses.
  • Pensar que Esparta só sabia lutar. A organização espartana era também um sistema político estudado e imitado, inclusive por filósofos atenienses.

Como estudar sem enlouquecer

Comece pelas dez datas da tabela acima e pela comparação Atenas x Esparta, que é a pergunta mais frequente nas provas. Depois treine contar as guerras greco-pérsicas na ordem, porque elas explicam o auge de Atenas. Por último, prepare uma resposta pronta sobre os limites da democracia ateniense: é exatamente o tipo de questão que o ENEM transforma em texto para interpretar.

Os exercícios abaixo seguem essa progressão, do ordenamento das datas até desmontar as afirmações erradas que os resumos apressados repetem.

Exercícios resolvidos

1. Coloque em ordem cronológica: morte de Alexandre o Grande, primeiras Olimpíadas, conquista romana da Grécia, batalha de Maratona, reformas de Clístenes. base

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  1. Atribuo uma data a cada acontecimento: primeiras Olimpíadas = 776 a.C.; reformas de Clístenes = 508 a.C.; batalha de Maratona = 490 a.C.; morte de Alexandre = 323 a.C.; conquista romana = 146 a.C.
  2. Lembro a regra das datas a.C.: quanto maior o número, mais antigo o acontecimento.
  3. Ordeno do número maior para o menor: 776, 508, 490, 323, 146.

Resposta: Primeiras Olimpíadas (776 a.C.) → reformas de Clístenes (508 a.C.) → batalha de Maratona (490 a.C.) → morte de Alexandre (323 a.C.) → conquista romana da Grécia (146 a.C.).

2. Verdadeiro ou falso? Corrija as afirmações falsas. a) A Grécia Antiga era um país unificado, com um só governo. b) A pólis era uma cidade-estado independente, com leis e exército próprios. c) Esparta era governada democraticamente como Atenas. d) Alexandre o Grande era um general ateniense. base

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  1. a) Falso: não existia um estado grego. Havia centenas de pólis independentes que partilhavam língua, religião e jogos, mas guerreavam entre si com frequência.
  2. b) Verdadeiro: cada pólis tinha governo, leis, moeda e exército próprios.
  3. c) Falso: Esparta era uma oligarquia com dois reis, um conselho de anciãos (gerúsia) e cinco éforos. A democracia desenvolveu-se em Atenas.
  4. d) Falso: Alexandre era macedônio, filho de Filipe II, rei da Macedônia, que havia derrotado as pólis gregas em Queroneia, em 338 a.C.

Resposta: a) Falso (centenas de pólis independentes); b) Verdadeiro; c) Falso (oligarquia com dois reis); d) Falso (era macedônio, filho de Filipe II).

3. Atribua cada característica a Atenas ou a Esparta: 1) a agogê, educação militar obrigatória; 2) a eclésia, assembleia em que os cidadãos votavam as leis; 3) dois reis no comando do exército; 4) as reformas de Clístenes de 508 a.C.; 5) os hilotas, que trabalhavam a terra; 6) o Partenon e o teatro de Dioniso. intermedio

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  1. 1) Esparta: a partir dos sete anos os meninos deixavam a família para a agogê, um treinamento militar duríssimo.
  2. 2) Atenas: a eclésia era a assembleia dos cidadãos, coração da democracia direta ateniense.
  3. 3) Esparta: a cidade tinha dois reis ao mesmo tempo, acompanhados pela gerúsia e pelos éforos.
  4. 4) Atenas: em 508 a.C. Clístenes reorganizou os cidadãos por local de residência e não por família, criando a base da democracia.
  5. 5) Esparta: os hilotas eram camponeses submetidos que cultivavam as terras dos espartanos, livres assim para se dedicar só à guerra.
  6. 6) Atenas: o Partenon na acrópole e o teatro nascem na Atenas do século V a.C., a cidade de Péricles.

Resposta: Esparta: 1, 3, 5. Atenas: 2, 4, 6.

4. Calcule três durações: quantos anos separam as primeiras Olimpíadas (776 a.C.) da conquista romana (146 a.C.); quanto durou a Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.); quantos anos de reinado teve Alexandre (336-323 a.C.). intermedio

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  1. Quando as duas datas são a.C., a conta é uma subtração do número maior pelo menor.
  2. Das primeiras Olimpíadas à conquista romana: 776 - 146 = 630 anos.
  3. Guerra do Peloponeso: 431 - 404 = 27 anos.
  4. Reinado de Alexandre: 336 - 323 = 13 anos.
  5. Compare os dois últimos: Alexandre conquistou um império do Egito à Índia em menos da metade do tempo que os gregos gastaram guerreando entre si.

Resposta: 630 anos de história grega entre as duas datas; 27 anos de Guerra do Peloponeso; 13 anos de reinado de Alexandre.

5. Coloque em ordem as batalhas das guerras greco-pérsicas e diga quem venceu cada uma: Salamina, Maratona, Termópilas, Plateias. intermedio

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  1. Maratona, 490 a.C.: vitória ateniense em terra, contra a primeira expedição persa de Dario.
  2. Termópilas, 480 a.C.: derrota grega, com a resistência dos 300 espartanos de Leônidas, que atrasou o avanço de Xerxes.
  3. Salamina, 480 a.C., poucos meses depois: vitória naval grega, planejada por Temístocles no estreito em frente a Atenas.
  4. Plateias, 479 a.C.: vitória grega em terra que encerra a invasão.
  5. Ordeno pelas datas: 490, depois 480 (Termópilas e então Salamina), depois 479.

Resposta: Maratona (490, vitória grega) → Termópilas (480, derrota grega) → Salamina (480, vitória grega) → Plateias (479, vitória grega).

6. A Atenas de Péricles é chamada de berço da democracia. Em uma população estimada em cerca de 300 mil habitantes na Ática, quem tinha direito de voto na eclésia e quem ficava de fora? O que isso muda na comparação com a democracia brasileira de hoje? avanzato

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  1. Votavam na eclésia apenas os cidadãos: homens, livres, maiores de dezoito anos e filhos de pais atenienses.
  2. Ficavam de fora as mulheres, que não tinham direitos políticos; os escravos, que eram muitos; e os metecos, estrangeiros residentes que pagavam impostos e serviam no exército sem jamais votar.
  3. As estimativas dos historiadores apontam algo entre 30 mil e 40 mil cidadãos com direito de voto, ou seja uma minoria da população da Ática.
  4. A diferença decisiva é dupla: a democracia ateniense era direta, isto é os cidadãos votavam as leis em pessoa na assembleia, e era restrita a uma minoria. A brasileira é representativa, com voto universal para homens e mulheres a partir dos 16 anos e deputados eleitos para legislar.

Resposta: Votavam só os cidadãos homens, livres e filhos de atenienses, uma minoria estimada entre 30 mil e 40 mil pessoas; mulheres, escravos e metecos ficavam de fora. A democracia ateniense era direta e restrita, a brasileira é representativa e de voto universal.

7. Um colega escreve na prova: os gregos venceram os persas porque eram mais numerosos e, depois disso, a Grécia virou um império. Encontre os dois erros e reescreva a frase. avanzato

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  1. Primeiro erro: os gregos eram menos numerosos, não mais. Venceram pelo terreno escolhido, pela disciplina da falange hoplita e, em Salamina, por atrair a frota persa para um estreito onde o número de navios deixava de ser vantagem.
  2. Segundo erro: a Grécia não se tornou um império. Depois das guerras, Atenas liderou a Liga de Delos e transformou os aliados em tributários, o que levou à Guerra do Peloponeso contra Esparta (431-404 a.C.), vencida por Esparta. O império só aparece depois, e é macedônio, com Alexandre.
  3. Reescrevo mantendo os fatos.

Resposta: Os gregos venceram os persas apesar de serem menos numerosos, graças ao terreno, à falange hoplita e à estratégia naval de Temístocles em Salamina. Depois das guerras não nasceu um império grego: Atenas liderou a Liga de Delos, entrou em conflito com Esparta na Guerra do Peloponeso e perdeu. O império veio depois, com o macedônio Alexandre.

Perguntas frequentes

Quando começa e quando termina a Grécia Antiga?

Depende do marco escolhido. A periodização mais usada nas escolas começa no período homérico, depois da queda da civilização micênica (por volta de 1100 a.C.), e termina em 146 a.C., quando Roma derrota a Liga Aqueia e destrói Corinto. Muitos manuais usam 776 a.C., data das primeiras Olimpíadas, como início do período arcaico, porque é a primeira data grega confiável.

Qual a diferença entre Atenas e Esparta?

Atenas era uma democracia direta de cidadãos que votavam as leis na eclésia, voltada para o comércio marítimo, o teatro e a filosofia. Esparta era uma oligarquia militar com dois reis, uma gerúsia de anciãos e cinco éforos, baseada na agogê (educação militar desde os sete anos) e no trabalho dos hilotas. Atenas tinha a frota mais forte; Esparta, o exército terrestre mais temido.

Quem foi Alexandre o Grande?

Rei da Macedônia de 336 a 323 a.C., filho de Filipe II e aluno de Aristóteles. Em treze anos conquistou o Império Persa, o Egito e chegou até o rio Indo, fundando dezenas de cidades, entre elas Alexandria. Com sua morte, em 323 a.C., o império foi dividido entre seus generais e começou o período helenístico, em que a cultura grega se espalhou por todo o Oriente.

O que a Grécia Antiga deixou para o Brasil de hoje?

Palavras, em primeiro lugar: democracia, política, teatro, escola, música, matemática e filosofia são todas de origem grega. Depois, formas de pensar e de organizar a vida pública: a ideia de assembleia e de voto, o teatro com tragédia e comédia, a geometria de Euclides e Pitágoras, e os Jogos Olímpicos, criados em Olímpia e retomados em 1896, que o Brasil sediou no Rio em 2016.

A democracia grega era igual à de hoje?

Não. Era direta, porque os cidadãos votavam as leis pessoalmente na assembleia, e era restrita, porque só homens livres filhos de atenienses tinham direito de voto: mulheres, escravos e estrangeiros residentes ficavam de fora. As estimativas apontam entre 30 mil e 40 mil cidadãos votantes em uma população de cerca de 300 mil habitantes na Ática.