História
Egito Antigo: resumo, linha do tempo e 6 exercícios
O Egito Antigo nasceu por volta de 3100 a.C. às margens do Nilo e durou quase três mil anos. Linha do tempo, pirâmide social, mitos desfeitos e 6 exercícios.
Recomendado para: 6º ano · 7º ano
O Egito Antigo é a civilização que nasceu às margens do rio Nilo por volta de 3100 a.C., quando o rei Narmer (também chamado Menés) unificou o Alto e o Baixo Egito. Durou quase três mil anos, até 30 a.C., quando o país se tornou província do Império Romano.
Linha do tempo
| Data | Acontecimento |
|---|---|
| ≈ 3100 a.C. | Narmer unifica o Alto e o Baixo Egito |
| 2700-2200 a.C. | Antigo Império: época das grandes pirâmides |
| ≈ 2560 a.C. | Conclusão da pirâmide de Quéops, em Gizé |
| 2050-1750 a.C. | Médio Império: retomada depois de uma crise |
| 1550-1070 a.C. | Novo Império: máxima expansão, Ramsés II e Tutancâmon |
| 1274 a.C. | Batalha de Kadesh, entre Ramsés II e os hititas |
| 332 a.C. | Alexandre, o Grande, conquista o Egito |
| 30 a.C. | Morte de Cleópatra VII: o Egito vira província romana |
| 1822 d.C. | Champollion decifra os hieróglifos |
A dádiva do Nilo
O historiador grego Heródoto chamou o Egito de “dádiva do Nilo”, e tinha razão. Todo verão o rio transbordava e deixava nos campos o lodo, uma lama escura e fertilíssima que garantia colheitas fartas de trigo, cevada e linho em pleno deserto.
O Nilo corre de sul para norte e deságua no Mediterrâneo formando um amplo delta. Além da água para irrigar, dava peixe, papiro e uma estrada pronta: a correnteza levava os barcos para o norte e o vento dominante os trazia de volta para o sul.
A cheia era tão central que o calendário egípcio se dividia em três estações ligadas a ela: akhet, a inundação; peret, a semeadura; shemu, a colheita.
A pirâmide social
| Posição | Quem era | O que fazia |
|---|---|---|
| 1 | Faraó | chefe político, militar e religioso, considerado deus vivo |
| 2 | Sacerdotes e nobres | cuidavam dos templos e administravam as províncias |
| 3 | Escribas | sabiam ler e escrever, registravam impostos e colheitas |
| 4 | Artesãos e comerciantes | produziam e trocavam mercadorias |
| 5 | Camponeses | a grande maioria da população, trabalhavam a terra |
| 6 | Escravizados | em geral prisioneiros de guerra |
Ser escriba era a única forma realista de subir na hierarquia sem nascer nobre, e por isso os textos escolares egípcios insistiam tanto que a escrita livrava o jovem do trabalho pesado no campo.
Religião e vida depois da morte
Os egípcios eram politeístas: adoravam muitos deuses, quase sempre representados com corpo humano e cabeça de animal.
| Deus | Domínio | Como aparece |
|---|---|---|
| Rá | o Sol | homem com cabeça de falcão e disco solar |
| Osíris | o além e a ressurreição | rei mumificado, de pele verde |
| Ísis | magia e maternidade | mulher com trono na cabeça |
| Anúbis | mumificação e cemitérios | homem com cabeça de chacal |
| Tot | escrita e conhecimento | homem com cabeça de íbis |
Como acreditavam que a alma precisava de um corpo íntegro, desenvolveram a mumificação e construíram túmulos monumentais. As pirâmides de Gizé são do Antigo Império: a de Quéops tinha originalmente cerca de 146,6 metros e é a única das sete maravilhas do mundo antigo ainda de pé.
Hieróglifos e a Pedra de Roseta
Os hieróglifos não são só desenhos. O sistema mistura sinais que representam coisas com sinais que representam sons, e é isso que o torna uma escrita completa, capaz de registrar nomes próprios e verbos.
A chave da decifração foi a Pedra de Roseta, encontrada em 1799 por soldados franceses no delta e hoje no Museu Britânico. Ela traz o mesmo decreto em três escritas: hieroglífica, demótica e grega. Em 1822 o francês Jean-François Champollion mostrou que os sinais dentro dos cartuchos escreviam foneticamente os nomes dos reis, e a partir daí a língua inteira se abriu.
Os egípcios também deixaram matemática escrita. O papiro de Rhind, copiado por volta de 1550 a.C., mostra que eles escreviam quase todas as frações como somas de frações de numerador 1 — um hábito que vale a pena praticar junto com as operações com frações, e que aparece no exercício 5.
Os erros mais comuns
Achar que as pirâmides são do Novo Império. São do Antigo Império, cerca de mil anos antes de Tutancâmon. Ramsés II está cronologicamente mais perto de nós do que da pirâmide de Quéops.
Dizer que escravizados construíram as pirâmides. A vila operária escavada ao lado de Gizé mostra padarias, cervejarias e alojamentos: os construtores eram equipes recrutadas e sustentadas pelo Estado.
Contar com um ano zero. Entre 1 a.C. e 1 d.C. passa um único ano. Quem esquece isso erra por um ano todos os cálculos que cruzam as duas eras, como no exercício 4.
Pensar que Cleópatra era egípcia de origem. A dinastia ptolomaica era grega macedônia, descendente de um general de Alexandre. Cleópatra VII ficou conhecida justamente por ser a primeira da família a aprender o idioma egípcio.
Confundir hieróglifo com hierático e demótico. O hieróglifo era a escrita monumental; o hierático e o demótico eram as formas cursivas usadas no dia a dia sobre papiro.
Egito e matemática
Os agrimensores egípcios precisavam remarcar os limites das terras depois de cada cheia, e os autores gregos os chamavam de “esticadores de corda”. Se eles usavam ou não o triângulo de lados 3, 4 e 5 para traçar ângulos retos é assunto debatido pelos historiadores, porque nenhum papiro egípcio descreve o procedimento. De qualquer forma a relação existe e continua valendo: ela é o caso mais simples do teorema de Pitágoras. Já as receitas de repartição de pães e de cerveja do papiro de Rhind são, na prática, exercícios de proporções.
Nos seis exercícios abaixo você encontra datas para ordenar, um verdadeiro ou falso, a pirâmide social para reconstruir, o cálculo entre eras que derruba quem esquece o ano zero, as frações egípcias e uma questão de raciocínio sobre o Nilo.
Exercícios resolvidos
1. Coloque em ordem cronológica: construção da pirâmide de Quéops, unificação do Egito, incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro, conquista romana do Egito, decifração dos hieróglifos. base
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- Atribuo uma data a cada acontecimento: unificação do Egito ≈ 3100 a.C.; pirâmide de Quéops ≈ 2560 a.C.; conquista romana = 30 a.C.; decifração dos hieróglifos = 1822 d.C.; incêndio do Museu Nacional = 2018 d.C.
- Nas datas a.C. o número maior é o mais antigo: 3100 vem antes de 2560, que vem antes de 30.
- Todas as datas d.C. vêm depois de todas as datas a.C., e entre elas vale a ordem normal: 1822 antes de 2018.
Resposta: Unificação do Egito (≈ 3100 a.C.) → pirâmide de Quéops (≈ 2560 a.C.) → conquista romana (30 a.C.) → decifração dos hieróglifos (1822 d.C.) → incêndio do Museu Nacional (2018 d.C.).
2. Verdadeiro ou falso? Corrija as afirmações falsas. a) O Nilo corre de sul para norte e deságua no mar Mediterrâneo. b) As pirâmides de Gizé foram construídas no Novo Império. c) Cleópatra era de origem grega macedônia. d) Os hieróglifos são apenas desenhos, sem valor de som. base
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- a) Verdadeiro: o Nilo nasce ao sul, no coração da África, e deságua ao norte formando o delta.
- b) Falso: as grandes pirâmides de Gizé são do Antigo Império, cerca de mil anos antes do Novo Império.
- c) Verdadeiro: Cleópatra VII pertencia à dinastia ptolomaica, fundada por um general macedônio de Alexandre, o Grande.
- d) Falso: além dos sinais que representam coisas, os hieróglifos têm sinais fonéticos, que valem por sons. Foi justamente isso que permitiu a decifração.
Resposta: a) Verdadeiro; b) Falso (Antigo Império); c) Verdadeiro; d) Falso (há sinais fonéticos).
3. Reconstrua a pirâmide social egípcia, do grupo mais poderoso ao menos poderoso: escribas, faraó, camponeses, sacerdotes e nobres, escravizados, artesãos e comerciantes. base
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- No topo está o faraó, chefe político, militar e religioso de todo o Egito.
- Logo abaixo vêm sacerdotes e nobres, que cuidam dos templos e administram as províncias em nome do faraó.
- Depois os escribas, funcionários que sabem ler e escrever e registram impostos, colheitas e documentos.
- Em seguida artesãos e comerciantes, que produzem e trocam mercadorias.
- Na base ficam os camponeses, a grande maioria da população, e por último os escravizados, muitas vezes prisioneiros de guerra.
Resposta: Faraó → sacerdotes e nobres → escribas → artesãos e comerciantes → camponeses → escravizados.
4. O Egito tornou-se província romana em 30 a.C. e os hieróglifos foram decifrados em 1822 d.C. Quantos anos separam os dois acontecimentos? intermedio
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- As datas estão em eras diferentes, então não se pode simplesmente subtrair.
- Primeiro somo os dois números: 30 + 1822 = 1852.
- Agora vem a armadilha: não existe ano zero. Depois de 1 a.C. vem diretamente 1 d.C.
- Por isso é preciso descontar um ano: 1852 − 1 = 1851.
- Conferência rápida: de 1 a.C. a 1 d.C. passou apenas 1 ano, e não 2, o que confirma o desconto.
Resposta: 1851 anos.
5. Os egípcios escreviam quase todas as frações como soma de frações de numerador 1, diferentes entre si. Escreva dessa forma 3/4 e 2/5. intermedio
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- Para 3/4 procuro a maior fração unitária que caiba: 1/2, porque 1/2 = 2/4 e 2/4 < 3/4.
- Subtraio: 3/4 − 1/2 = 3/4 − 2/4 = 1/4, que já é unitária. Então 3/4 = 1/2 + 1/4.
- Para 2/5 a maior fração unitária que cabe é 1/3, porque 1/3 ≈ 0,333 e 2/5 = 0,4.
- Subtraio: 2/5 − 1/3 = 6/15 − 5/15 = 1/15, que já é unitária.
- Confiro: 1/3 + 1/15 = 5/15 + 1/15 = 6/15 = 2/5. Correto.
Resposta: 3/4 = 1/2 + 1/4 e 2/5 = 1/3 + 1/15.
6. O historiador grego Heródoto chamou o Egito de «dádiva do Nilo». Explique por quê, apontando pelo menos três benefícios concretos que o rio trazia. avanzato
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- Primeiro benefício: a cheia anual depositava nos campos o lodo, uma lama escura e muito fértil que permitia colher trigo, cevada e linho no meio do deserto.
- Segundo benefício: o rio fornecia água para irrigar por canais e com o xaduf, além de peixe e de papiro para escrever e construir barcos.
- Terceiro benefício: o Nilo era a grande estrada do Egito. A correnteza empurrava os barcos para o norte e o vento dominante para o sul, o que permitia comércio e transporte dos blocos de pedra dos monumentos.
- Fecho o raciocínio: sem o rio o Egito seria apenas deserto, e por isso toda a civilização se concentrou numa faixa estreita às margens dele.
Resposta: Porque toda a vida egípcia dependia do rio: o lodo da cheia fertilizava os campos, a água garantia irrigação, pesca e papiro, e o próprio rio era a principal via de transporte e comércio.
Perguntas frequentes
quanto tempo durou o Egito Antigo?
Cerca de três mil anos. A contagem vai da unificação do Alto e do Baixo Egito, por volta de 3100 a.C., até 30 a.C., quando o país virou província romana depois da morte de Cleópatra VII. São aproximadamente 3070 anos, mais do que o tempo que separa Cleópatra de nós.
por que os egípcios mumificavam os mortos?
Porque acreditavam na vida depois da morte e entendiam que a alma precisava de um corpo preservado para voltar. Os embalsamadores retiravam os órgãos, desidratavam o corpo com natrão durante cerca de quarenta dias, envolviam-no em faixas de linho e o colocavam no sarcófago, junto com amuletos.
quem construiu as pirâmides de Gizé?
Trabalhadores egípcios organizados em equipes, e não multidões de escravizados como se costuma dizer. As escavações da vila operária ao lado do planalto de Gizé revelaram padarias, alojamentos e esqueletos com sinais de tratamento médico, o que indica trabalhadores recrutados e sustentados pelo Estado.
onde posso ver múmias egípcias no Brasil?
O Museu Nacional, no Rio de Janeiro, reuniu a maior coleção egípcia da América Latina, formada a partir do acervo comprado por D. Pedro I. O incêndio de setembro de 2018 destruiu grande parte dela, inclusive a múmia de Sha-Amun-em-su, e o museu vem sendo reconstruído desde então.