Química

Balanceamento de equações químicas: 8 exercícios

Mexa só nos coeficientes, nunca nos índices: é essa a regra que balanceia tudo. Método em 3 passos, tabela de contagem de átomos e 8 exercícios resolvidos.

Recomendado para: 9º ano · 1ª série do Ensino Médio

Balancear uma equação química é colocar coeficientes na frente das fórmulas até que cada elemento tenha o mesmo número de átomos dos dois lados da seta. A regra que resolve tudo cabe numa frase: mexa nos coeficientes, nunca nos índices.

Elemento da equaçãoO que éPode ser alterado?
Coeficiente (o 2 de 2H₂O)Quantas moléculas participamSim, é isso que se balanceia
Índice (o 2 de HO)Quantos átomos há na moléculaNão, mudaria a substância

Trocar o índice de H₂O para H₂O₂ não balanceia nada: transforma água em água oxigenada, que é outra substância. Esse é o erro mais caro da matéria inteira.

Por que a equação precisa fechar

O balanceamento é a tradução prática da lei da conservação das massas, enunciada por Lavoisier em 1789: numa reação química os átomos não são criados nem destruídos, apenas mudam de parceiro. Se você começa com 4 átomos de hidrogênio, termina com 4 átomos de hidrogênio, estejam eles onde estiverem.

É também o que torna possível qualquer cálculo estequiométrico: os coeficientes dizem em que proporção as substâncias reagem, e é a partir deles que se calcula quantos gramas ou quantos mols são consumidos. Se o balanceamento estiver errado, todo o cálculo de mol e massa molar que vier depois estará errado também.

O método em 3 passos

  1. Escolha o elemento certo para começar. Aquele que aparece num único composto de cada lado, normalmente um metal ou o carbono.
  2. Deixe H e O para o fim. Costumam aparecer em várias substâncias ao mesmo tempo, então balancear o hidrogênio cedo demais obriga a refazer tudo.
  3. Confira contando os átomos. Elemento por elemento, dos dois lados. Se aparecer uma fração, multiplique a equação inteira pelo denominador.
Ordem sugeridaO que balancearPor quê
Metais (Fe, Aℓ, Ca, K)Aparecem num composto só de cada lado
Não metais que não sejam H nem O (C, Cl, P, S)Ainda estão em poucas substâncias
HidrogênioCostuma estar em duas ou três fórmulas
OxigênioQuase sempre o mais espalhado da equação
Substâncias simples (O₂, H₂)O coeficiente delas pode ser ajustado por último sem afetar nada

O truque dos grupos poliatômicos

Quando um grupo como PO₄, SO₄, NO₃ ou CO₃ aparece inteiro dos dois lados da seta, conte-o como se fosse um único átomo. No exercício 8 isso reduz uma equação de aparência assustadora a duas contas de cabeça. Só não vale usar o truque quando o grupo se desfaz durante a reação, como acontece quando o carbonato libera CO₂.

O caso do número ímpar de oxigênio

É a situação que trava mais gente, e aparece em toda combustão de hidrocarboneto com número ímpar de hidrogênios no produto. Depois de acertar C e H, o oxigênio do lado direito dá um total ímpar, e o O₂ só consegue fornecer átomos aos pares.

Há duas saídas, e as duas levam ao mesmo lugar:

  • usar o coeficiente fracionário 7/2 e depois multiplicar tudo por 2;
  • ou dobrar de imediato o coeficiente do hidrocarboneto e recomeçar a contagem.

O exercício 5 mostra o percurso completo. Se as operações com frações ainda forem um obstáculo, vale reforçá-las antes: em química elas aparecem justamente aqui.

Os erros mais comuns

  • Mexer no índice em vez do coeficiente. Escrever H₂O₂ para “arrumar” o oxigênio troca a substância e invalida a equação inteira.
  • Balancear o hidrogênio primeiro. Como ele aparece em várias fórmulas, quase sempre obriga a refazer os passos seguintes.
  • Parar antes de conferir. Acertar um elemento costuma desequilibrar outro; a conferência final, átomo por átomo, não é opcional.
  • Deixar uma fração na resposta. 7/2 pode aparecer no meio da resolução, nunca no resultado: multiplique a equação toda por 2.
  • Deixar coeficientes múltiplos. 4H₂ + 2O₂ → 4H₂O está aritmeticamente certo, mas não é a forma correta: divida tudo por 2.
  • Quebrar um grupo poliatômico sem necessidade. Contar P e O separadamente em Ca₃(PO₄)₂ triplica o trabalho e multiplica as chances de erro.
  • Esquecer o índice do grupo. Em Ca₃(PO₄)₂ há 2 fósforos e 8 oxigênios, não 1 e 4: o 2 de fora multiplica tudo o que está dentro dos parênteses.

Como treinar

Os oito exercícios abaixo estão em ordem crescente de dificuldade: formação da água, síntese da amônia, combustão do metano, ferrugem, combustão do etano com oxigênio ímpar, ataque ácido ao alumínio, decomposição do clorato de potássio e neutralização com grupo fosfato. Cada solução termina com a contagem dos átomos elemento por elemento.

Depois disso, o passo seguinte é usar os coeficientes para calcular massas e quantidades de matéria: eles nada mais são do que a proporção em que as substâncias reagem entre si.

Exercícios resolvidos

1. Balanceie a formação da água: H₂ + O₂ → H₂O base

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  1. Conte o oxigênio: 2 átomos à esquerda (O₂) e apenas 1 à direita (H₂O).
  2. Coloque o coeficiente 2 diante de H₂O: H₂ + O₂ → 2H₂O.
  3. Agora há 4 H à direita e só 2 à esquerda: coloque 2 diante de H₂.
  4. Equação: 2H₂ + O₂ → 2H₂O.
  5. Conferência: H 4 = 4; O 2 = 2. Está balanceada.

Resposta: 2H₂ + O₂ → 2H₂O

2. Balanceie a síntese da amônia: N₂ + H₂ → NH₃ base

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  1. Nitrogênio: 2 átomos à esquerda (N₂) e 1 à direita. Coloque 2 diante de NH₃.
  2. Com N₂ + H₂ → 2NH₃ ficam 6 H à direita, mas só 2 à esquerda.
  3. Coloque 3 diante de H₂ para obter 6 H: N₂ + 3H₂ → 2NH₃.
  4. Conferência: N 2 = 2; H 6 = 6. Está balanceada.

Resposta: N₂ + 3H₂ → 2NH₃

3. Balanceie a combustão do metano, o gás de cozinha encanado: CH₄ + O₂ → CO₂ + H₂O base

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  1. O carbono já está certo: 1 átomo de cada lado.
  2. Hidrogênio: são 4 à esquerda, então coloque 2 diante de H₂O.
  3. Com CH₄ + O₂ → CO₂ + 2H₂O, o oxigênio à direita é 2 (do CO₂) + 2 (das 2H₂O) = 4.
  4. Coloque 2 diante de O₂ para ter 4 O à esquerda: CH₄ + 2O₂ → CO₂ + 2H₂O.
  5. Conferência: C 1 = 1; H 4 = 4; O 4 = 4. Está balanceada.

Resposta: CH₄ + 2O₂ → CO₂ + 2H₂O

4. Balanceie a formação da ferrugem: Fe + O₂ → Fe₂O₃ intermedio

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  1. Ferro: 2 átomos à direita (Fe₂O₃) e 1 à esquerda.
  2. Oxigênio: 3 átomos à direita e 2 à esquerda (O₂). O MMC de 3 e 2 é 6.
  3. Para ter 6 O de cada lado: 3 diante de O₂ (3 x 2 = 6) e 2 diante de Fe₂O₃ (2 x 3 = 6).
  4. Agora 2Fe₂O₃ contém 4 Fe, então coloque 4 diante de Fe.
  5. Equação: 4Fe + 3O₂ → 2Fe₂O₃. Conferência: Fe 4 = 4; O 6 = 6.

Resposta: 4Fe + 3O₂ → 2Fe₂O₃

5. Balanceie a combustão do etano: C₂H₆ + O₂ → CO₂ + H₂O intermedio

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  1. Carbono: 2 à esquerda, então 2 diante de CO₂.
  2. Hidrogênio: 6 à esquerda, então 3 diante de H₂O.
  3. Oxigênio à direita: 2 x 2 (CO₂) + 3 x 1 (H₂O) = 7 átomos, um número ímpar.
  4. Como O₂ só fornece átomos aos pares, seria preciso o coeficiente 7/2 diante de O₂.
  5. Multiplique a equação inteira por 2 para eliminar a fração: 2C₂H₆ + 7O₂ → 4CO₂ + 6H₂O.
  6. Conferência: C 4 = 4; H 12 = 12; O 14 = 8 + 6 = 14. Está balanceada.

Resposta: 2C₂H₆ + 7O₂ → 4CO₂ + 6H₂O

6. Balanceie a reação do alumínio com ácido clorídrico: Aℓ + HCl → AℓCl₃ + H₂ intermedio

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  1. Comece pelo cloro, que aparece em um único composto de cada lado: 1 à esquerda e 3 à direita.
  2. Coloque 3 diante de HCl: Aℓ + 3HCl → AℓCl₃ + H₂.
  3. Agora há 3 H à esquerda e 2 à direita: o MMC de 3 e 2 é 6.
  4. Coloque 6 diante de HCl e 3 diante de H₂: Aℓ + 6HCl → AℓCl₃ + 3H₂.
  5. O cloro voltou a desequilibrar: 6 à esquerda, 3 à direita. Coloque 2 diante de AℓCl₃.
  6. O alumínio agora é 2 à direita, então 2 diante de Aℓ: 2Aℓ + 6HCl → 2AℓCl₃ + 3H₂.
  7. Conferência: Aℓ 2 = 2; H 6 = 6; Cl 6 = 6. Está balanceada.

Resposta: 2Aℓ + 6HCl → 2AℓCl₃ + 3H₂

7. Balanceie a decomposição do clorato de potássio, usada para produzir oxigênio em laboratório: KClO₃ → KCl + O₂ avanzato

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  1. Potássio e cloro já estão 1 para 1 de cada lado.
  2. Oxigênio: 3 átomos à esquerda e 2 à direita. O MMC de 3 e 2 é 6.
  3. Para ter 6 O à esquerda: 2 diante de KClO₃ (2 x 3 = 6).
  4. Para ter 6 O à direita: 3 diante de O₂ (3 x 2 = 6).
  5. Com 2KClO₃ há 2 K e 2 Cl à esquerda, então coloque 2 diante de KCl.
  6. Equação: 2KClO₃ → 2KCl + 3O₂. Conferência: K 2 = 2; Cl 2 = 2; O 6 = 6.

Resposta: 2KClO₃ → 2KCl + 3O₂

8. Balanceie a neutralização entre hidróxido de cálcio e ácido fosfórico: Ca(OH)₂ + H₃PO₄ → Ca₃(PO₄)₂ + H₂O avanzato

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  1. Aqui o truque é tratar o grupo fosfato (PO₄) como um bloco único, porque ele atravessa a reação inteiro.
  2. Fosfato: 1 à esquerda (H₃PO₄) e 2 à direita (Ca₃(PO₄)₂). Coloque 2 diante de H₃PO₄.
  3. Cálcio: 3 à direita e 1 à esquerda. Coloque 3 diante de Ca(OH)₂.
  4. Situação: 3Ca(OH)₂ + 2H₃PO₄ → Ca₃(PO₄)₂ + H₂O.
  5. Hidrogênio à esquerda: 3 x 2 (dos OH) + 2 x 3 (do ácido) = 12. Coloque 6 diante de H₂O.
  6. Equação: 3Ca(OH)₂ + 2H₃PO₄ → Ca₃(PO₄)₂ + 6H₂O.
  7. Conferência do oxigênio: à esquerda 3 x 2 + 2 x 4 = 14; à direita 8 (do fosfato) + 6 (da água) = 14.
  8. Conferência final: Ca 3 = 3; P 2 = 2; H 12 = 12; O 14 = 14. Está balanceada.

Resposta: 3Ca(OH)₂ + 2H₃PO₄ → Ca₃(PO₄)₂ + 6H₂O

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre coeficiente e índice numa equação química?

O índice é o número pequeno escrito embaixo, como o 2 de H₂O, e diz quantos átomos existem dentro da molécula: mexer nele muda a substância, porque H₂O é água e H₂O₂ é água oxigenada. O coeficiente é o número grande escrito na frente da fórmula e diz quantas moléculas participam da reação. No balanceamento só se alteram os coeficientes.

Por que é preciso balancear uma equação química?

Por causa da lei da conservação das massas, enunciada por Lavoisier: numa reação os átomos não são criados nem destruídos, apenas se reorganizam. Se um elemento aparece 4 vezes de um lado, tem de aparecer 4 vezes do outro. Sem isso, os cálculos estequiométricos de massa e de quantidade de matéria dariam errado.

Por onde começar a balancear uma equação química?

Pelo elemento que aparece num único composto de cada lado, normalmente um metal ou o carbono. Deixe hidrogênio e oxigênio para o fim, porque costumam estar em várias substâncias ao mesmo tempo, e guarde as substâncias simples (O₂, H₂, Fe) para o último ajuste, já que o coeficiente delas pode ser mudado sem afetar mais nada.

Posso usar coeficientes fracionários?

Durante a resolução, sim, e às vezes é o caminho mais rápido: na combustão do etano o 7/2 diante de O₂ resolve o problema na hora. Mas a resposta final deve ter coeficientes inteiros e no menor valor possível, então multiplique a equação toda pelo denominador. Por isso 2C₂H₆ + 7O₂ → 4CO₂ + 6H₂O é a forma correta.

Como balancear reações de combustão rapidamente?

Para um hidrocarboneto CxHy use sempre a mesma ordem: primeiro o carbono (coeficiente x diante de CO₂), depois o hidrogênio (coeficiente y/2 diante de H₂O) e só então o oxigênio, contando os átomos já colocados do lado direito e dividindo por 2. Se o total der ímpar, multiplique a equação inteira por 2.